~ O Mundo da Paula! ~ -->}
25/03/2010
A moça Tecelã!

Meu primeiro post de 2010, fiquei bastante tempo sem blogar, porém, caríssimos leitores, vocês sabem que eu nunca sumo de verdade, acabo ficando longe por uns tempos, o que me fez voltar a ativa(na verdade algo sempre faz) é a nova metodologia da professora de Filosofia da Linguagem na faculdade que está utilizando blogs para nos entreter na leitura dos textos de estudo da língua e produzirmos textos, eu achei super interessante :) Para quem quiser visitar o blog em que a nossa digníssima professora está trabalhando com a nossa turma é só clicar em Filosofando a Linguagem :)

 

A moça Tecelã

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Marina Colasanti


 

Eu nunca canso de homenagear a Marina aqui no blog, minha admiração por ela é imensa desde o dia em que eu a conheci e detalhe, pessoalmente. E mais uma vez, um de seus contos maravilhosos é uma referência pra mim, neste momento é este que coloquei de presente para vocês que acabaram de lê-lo nesse exato momento.

Existem algumas coisas na minha vida que eu poderia ter evitado para hoje ter a liberdade de ser feliz completamente, alguns cacos do passado acabam me impedido de agir da forma adequada na qual eu sem dúvidas me sentiria bem, hoje em minha frente existe uma barreira que me impede de realizar alguns dos meus próprios desejos por conta de feridas antigas, e é isso que rouba de mim toda a liberdade de uma felicidade completa e constante, o que é uma pena e o que me faz desejar tanto um tear.

Quantas coisas eu poderia ter resolvido se eu simplesmente lançasse meu tear ao contrário e fosse destecendo os fios que deram errados na minha vida podendo me dar infinitas chances de consertar os meus erros.

Existem alguns episódios da minha vida que nem precisam de concertos, são os fios tristes do meu tear, esses eu simplesmente desfaria sem pensar em chances de consertar, tem coisas que não precisam de conserto, na verdade, elas não deveriam nunca existir.

Que sorte teve a Moça Tecelã em ter a oportunidade de lançar seu tear ao contrário e receber sua verdadeira felicidade de volta, como o meu tear veio com defeito e eu não consigo destecer os fios tristes que porventura um dia foi tecido com um sorriso no rosto, me resta encontrar a lã perfeita para que eu possa tecer uma nova costura com perfeição por sobre estes fios tristes e, poder reencontrar aquele sorriso sincero de outrora.

 

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Paulinha Chan Chan Nome: Paula Daniele Moraes Freitas
Apelido: Paulinha-chan
Idade: 23 anos
Cidade/Estado: São Luís-Ma.
Hobby: Ler, escrever, ver filmes, ouvir músicas, expressões corporais, viajar e arte circense!
Eu adoro: A R T E!
Eu odeio: Pseudointelectuais e e falsa modéstia.
Eum dia serei...: Uma Dra. em Literatura!
Uma frase: Você é digno da vida que lhe foi dada!

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