Habitar os sonetos de Shakespeare.
Outro dia, andando pelo centro da cidade, eu resolvi me dar um presente: sonetos de Shakespeare. Parece uma atitude boa dar-se tais presentes, se eu não tivesse de ter gasto meus últimos tostões, meus últimos tostões, meus últimos, aqueles destinados ao aluguel da casa em troca dos sonetos de Shakespeare. Eu parei em frente a uma livraria e, como um cachorro que só sabe do tempo que anda com o olhar no frango que gira, como o cachorro que sabe da gravidade pela baba que desce da boca, fiquei horas seguidas ali babando sobre a vidraça, que não permitia que minhas mãos tocassem os sonetos de Shakespeare. O comerciante de livros aproximou-se com um sorriso fosco, perguntei quanto custaria para que os sonetos fossem meus. Ele então sorriu, menos fosco e mais vil, e disse-me: ‘custa tanto’. O tanto que ele disse era pouco, nem sabia, até porque ele vendia Shakespeare, pense, junto com culinária e magia. Mas as minhas mãos queriam tocar os sonetos de Shakespeare Cavei o bolso e, cédula a cédula, moeda a moeda, deu justo pra pagar e voltar pra casa, nada mais. Esta noite eu sou um homem sem garantia de que amanhã eu terei casa porque eu não paguei o aluguel. Quanto à minha alma, ela sobrevive a essa ameaça, tomada pela mais sublime graça em habitar os sonetos de Shakespeare. ( da série Som&Fúria ) O que vocês acabaram de ler foi simplesmente a Globo fazendo jus ao seu slogan "Cultura a gente vê por aqui". Não me canso de dizer que Som&Fúria foi o melhor que uma televisão brasileira um dia conseguiu transmitir, lógico que na minha opinião e olha que eu A-D-O-R-O criticar, meto a lenha mesmo se a coisa for de fato ruim. E eu nem sou do tipo de criar discórdias por opção, fato. hauahUHAUAHAUhauaha, tem um pouco de sarcasmo nisso. Um beijo pessoas e nunca se esqueçam de habitar os sonetos de Shakespeare. Fica a dica. ;* P.S: A imagem do post é a pintura ROSE de Waterhouse. *Um novo ar que eu respiro, fato.*
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Nome: Paula Daniele Moraes Freitas
