Existem horas que a minha cabeça se perde em tudo, e diante dela vem uma montanha de pensamentos, problemas e idéias aglomeradas como se fossem uma bola de neve.
Me sinto estranha e fraca, triste por mim e pelos outros, sem coragem de falar aquilo que eu preciso dizer e confusa em relação a tudo que sinto. Aperta a responsabilidade de fazer um monte de coisas que no entanto estão misturadas, devo tomar como primeira decisão organizá-las, para que também eu não me perca entre elas, embora suspeito que já esteja.
Hoje, fiquei sabendo que um Sr. Comerciante, cujo comércio costumo muito comprar refrigerante e chocolate, faleceu. Fiquei surpresa com a notícia e com a forma de que nossa própria vida pode estar nos enganando sem que sequer possamos notar isso. Um comerciante que outrora estara tão cheio de vida e hoje o que existe dele tornaram-se somente lembranças, a notícia ruim fez passar pela minha cabeça atordoada algumas recordações de quando ia ao seu comércio comprar refrigerante. Eu chegava e perguntava: - Tem refrigerante de 2L?
Logo ele rebatia: - Gelado ou quente?
- Me dê um refrigerante de 2L. – dizia eu.
- Eu não dou, eu vendo! – falava o Sr. Comerciante com um ar de gozação, com sua voz rouca e fraca, conseqüência de uma cirurgia que tivera feito na garganta há alguns anos.
Percebo eu, que não é fácil se manter firme como rocha diante de tal situação, vejo a morte de alguém como um vazio na vida de muitos com quem conviveu. E isso é muito triste.
Aprendi uma vez, que a única certeza da vida é a morte, que será inevitável o destino de todo mortal, aprendi que a morte é ‘algo’ de que não se pode enganar ou fugir, percebi que o Sr. Comerciante esteve bem vivo até outro dia, embora existam pessoas que passam pela vida e não vivem.
Aprendi que para morrer, basta estar vivo.
Ao Sr. Comerciante, meus sinceros sentimentos.
[ Texto escrito no dia 18/09/07 às 22:52h ]
| envie esta mensagem [link]
Nome: Paula Daniele Moraes Freitas
